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Apólogo: O Carro e o Burro - Gonçalves de Magalhaes

               

Gonçalves de Magalhaes

13 agosto 1811, Rio de Janeiro 
10 luglio 1882, Roma

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Apólogo: O Carro e o Burro
    
Um touro, não amestrado
No exercício de carreiro,
Num falso passo que deu
Pôs o carro no lameiro.
Conhecendo esse embaraço,
Procurou sair de modo,
Que ao menos salvasse a vida,
Visto o carro estar no lodo.
Alguns animais, passando
No desastroso lugar,
Tentaram, mas não puderam
Do charco o carro tirar.
Até que um burro já velho,
Cheio de louca vaidade,
Cuidou ser esse o momento
De ganhar celebridade.
— A que vás lá? — Disse um desses
Que pastavam por aí:
Deixa vir quem disso entenda;
Que isso não é para ti. —
"Tu falas antes de tempo;
Disse o burro ao que o arguia:
Vou mostrar-te o quanto posso;
Muito alcança quem porfia."
Vejam só o que é ser burro
Por instinto e natureza!
Não mediu as suas forças,
Nem viu do carro a grandeza.
Zurrando, e dando patadas,
Foi meter-se no atoleiro;
Entre os varais colocou-se,
E o pescoço pôs no apeiro.
Mas para fazer tais cousas
Foi necessário agachar-se;
Atolou-se até o ventre
Quando tentou levantar-se.
Como o terreno era fofo,
Tendo já mil voltas dado,
Tentou safar-se do jugo,
E o carro deitou de lado.
O pobre burro entre as varas
Virou de pernas para o ar;
Todo de lama coberto
Começou a espernear.
Isto aos burros acontece,
Que se esquecem do que são
E se não por nós responda
A geral opinião.
Quantos o carro do Estado
Querem guiar mui lampeiros,
E por trancos e barrancos,
Dão com ele em atoleiros?

Apologo: il Carro e l’Asino
  
Un bue, non addestrato
Al tiro, 
Con un passo falso,
Pose il carro nel pantano.
Conoscendo questa difficoltà,
Cercò di uscire in un modo,
Che almeno gli salvasse la vita,
Visto che il carro era nel fango.
Alcuni animali, passando
Sul funesto luogo,
      Tentarono, ma non potettero
Dal pantano il carro tirare.
Sino a quando un asino già vecchio,
Pieno di pazza vanità,
Pensò esser questo il momento
Per guadagnare celebrità.
- Chi va là? – Disse a uno di loro
Che pascolava lì vicino:
Lascia andare chi ne capisce;
Che questo non fa per te.-
“Tu parli prima del tempo;
Disse l’asino a chi lo giudicò:
Riesce molto chi insiste.”
Vedi solo cos’è esser asino
Per istinto e natura!
Non misurò le sue forze,
Nè vide del carro la grandezza.
Ragliando e dando zampate,
Si buttò nel pantano;
Tra le assi si posizionò,
E il collo pose nel giogo.
Ma per fare tali cose
Fu necessario abbassarsi;
Sprofondò sino al ventre
Quando tentò di alzarsi.
Siccome il terreno era morbido,
Essendosi girato mille volte,
Tentò di liberarsi dal giogo,
E il carro si ribaltò di lato.
Il povero asino tra le assi
Rimase a zampe all’aria;
Tutto coperto di fango
Cominciò ad agitarle.
Questo accade agli asini,
che si scordano di esser ciò che sono
E se non è così, risponda per noi
L’opinione generale.
Quanti il carro dello Stato
Vogliono guidare molto prima
del tempo,
E con molta difficoltà,
Finiscono con questo nei pantani?

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 GONçALVES DE MAGALHAES

*traduzione non ufficiale

Pubblicato nel libro Poesias Avulsas (1864).

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