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Ouvir para Aprender – Rubem Alves

     

Rubem Alves  

15 settembre 1933, Boa Esperança, Minas Gerais 

I libri di Rubem Alves sono acquistabili su: Amazon, IBS e laFeltrinelli.it 

 


Ascoltare per Imparare 
     
Di tutti i sensi, il più importante per imparare sull’amore, sulla vita insieme e sulla cittadinanza è l’ascolto. Disse il sacro scrittore: “In principio c’era il verbo”. Io aggiungo: “Prima del verbo, c’era il silenzio”. E’ dal silenzio che nasce l’ascolto.  
Posso ascoltare la parola solo se 
cessano i miei rumori interni. Posso ascoltare la verità dell’altro solo se smetto di parlare a vanvera. Chi parla molto non ascolta. Lo sanno i poeti, questi esseri di poche parole. Loro parlano, per ascoltare le voci del silenzio.  
Presta attenzione a questa poesia di Fernando Pessoa, diretta ad un poeta: “Cessa il tuo canto!/Cessa, che, nel mentre/ lo udii, udivo/ Un’altra voce/ Come se venisse/ Negli interstizi/ Del dolce incanto/ Con cui il tuo canto/ veniva a noi.// Ti udii e la udii/ Nello stesso tempo/ E differenti/ Insieme a cantare./E la melodia/ Che non c’era./ Se ora la ricordo/ Mi fa piangere”. La magia della poesia non è nelle parole del poeta. E’ negli interstizi silenziosi che ci sono tra le sue parole. E’ in questo silenzio che si ascolta la melodia che non c’era. Lì accade la magia: la melodia mi fa piangere. 
Non ci sentiamo di casa nel silenzio. Quando la conversazione finisce perchè non abbiamo più cosa dirci, cerchiamo subito di dire qualunque cosa, per porre fine al silenzio. Ogni tanto mi vien voglia di scrivere un saggio sulla psicologia degli ascensori. Siamo lì, noi due, chiusi in quel cunicolo. Uno dinanzi l’altro. Guardiamo l’altro negli occhi? O guardiamo a terra? Non abbiamo niente da dire. Questo silenzio è come se fosse un’offesa. Allora parliamo del clima. Ma noi due sappiamo bene che si tratta di una farsa per riempire il tempo sino a quando l’ascensore si fermi. 
Gli orientali capiscono meglio di noi. Se non m’inganno, il nome del film nel quale vidi questa scena è “Aconteceu em Tokio”. Due vecchiette si facevano visita. Per ore restavano insieme, senza dire una parola. Non dicevano nulla perchè nel loro silenzio viveva un mondo. Facevano silenzio non per non aversi nulla da dire, ma perchè quello che avevano da dirsi non entrava nelle parole. La filosofia occidentale è accecata dalla questione d’essere. 
La filosofia orientale, dalla questione del vuoto, del nulla. E’ nel vuoto della giara che si collocano i fiori. 
L’esercitarsi ad ascoltare non si trova nei nostri curricula. La pratica educativa tradizionale inizia con la parola del professore. La ragazzina, Andrea, ritornava dal suo primo giorno d’asilo. “com’è la maestra?”, sua madre le chiese. Lei rispose: “Grida…”. Non bastava che la maestra parlasse. Lei doveva gridare. Non ricordo che la mia prima maestra, dona Clotilde, avesse mai gridato. 
Ma ricordo delle grida stridule che venivano dalla classe affianco. Un unico grido riempie lo spazio della paura. A scuola, la violenza inizia con stupri verbali. 
Milan Kundera racconta la storia di Tamina, una cameriera:”Tutti amano Tamina. Perchè lei sa ascoltare ciò che le raccontano. Ma sarà che ascolta davvero? Non lo so… Ciò che conta è che non interrompa il discorso” – “E’ esattamente come me, io…” 
Questa frase sembra essere un modo per continuare la riflessione dell’altro, ma è un’esca. E’ una rivolta brutale contro una violenza brutale: uno sforzo per liberare i nostri orecchi dalla schiavitù e occupare, con forza, l’orecchio dell’avversario. Poichè tutta la vita dell’uomo tra i suoi simili non è nient’altro che un combattimento per impossessarsi dell’orecchio altrui. 
Sarà che era questo ciò che accadeva nella scuola tradizionale? Il professore che si impossessava dell’orecchio dell’alunno (non è questa la sua missione?), penetrandolo con la sua fallica parola e stuprandolo con la forza dell’autorità e la minaccia di castigo, senza dar conto che nell’orecchio silenzioso dell’alunno c’è una melodia che si suona. Forse sarà questa la ragione perchè ci sono tanti corsi d’oratoria, cercati da politici e manager, ma non di “ascolto”. Tutti vogliono parlare. Nessuno vuol ascoltare. 
Tutti vogliono essere ascoltati. (Visto che non c’è chi li ascolti, gli adulti cercano uno psicanalista, professionista pagato per ascoltare). Anche tutti i bambini vogliono essere ascoltati. Ho trovato, nella rivista pedagogica italiana “Cem Mondialità” il suggerimento secondo il quale, prima di iniziare le attività di insegnamento e l’apprendistato, i professori si dovrebbero dedicare, per settimane, forse mesi, semplicemente ad ascoltare i bambini. Nel silenzio dei bambini, c’è un programma di vita: sogni. E’ dai sogni che nasce l’intelligenza. 
L’intelligenza è lo strumento che il corpo usa per trasformare i suoi sogni in realtà. E’ necessario ascoltare i bambini affinchè la loro intelligenza sbocci. 
Suggerisco allora ai professori (lasciando da parte la loro giusta preoccupazione nel parlare chiaro) di avere anche una preoccupazione di ascoltare chiaro. Non amiamo la persona che parla bene, ma la persona che ascolta bene. Il bell’ascolto è un buon collo che il bambino può abbracciare…


Ouvir para aprender

De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, da vida em conjunto e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: "No princípio era o verbo". Eu acrescento: "Antes do verbo, era o silêncio". É do silêncio que nasce o ouvir. 
Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim -para ouvir as vozes do silêncio. 
Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: "Cessa o teu canto!/ Cessa, que, enquanto/ O ouvi, ouvia/ Uma outra voz/ Com que vindo/ Nos interstícios/ Do brando encanto/ Com que o teu canto/ Vinha até nós.// Ouvi-te e ouvi-a/ No mesmo tempo/ E diferentes/ Juntas cantar./ E a melodia/ Que não havia./ Se agora a lembro,/ Faz-me chorar". A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar. 
Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa pára por não haver o que dizer, tratamos logo de falar qualquer coisa, para pôr um fim ao silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare. 
Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano, o nome do filme em que vi esta cena é "Aconteceu em Tóquio". Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do ser. 
A filosofia oriental, pela questão do vazio, do nada. É no vazio da jarra que se colocam flores. 
O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. "Como é a professora?", sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: "Ela grita...". Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, dona Clotilde, tivesse jamais gritado. 
Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola, a violência começa com estupros verbais. 
Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete: "Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra -"É exatamente como eu, eu...'- e começa a falar de si, até que a primeira consiga, por sua vez, cortar -"É exatamente como eu, eu...". 
Essa frase parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar, à força, o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro". 
Será que era isso o que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno (pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão por que há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não de "escutarória". Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir. 
Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana "Cem Mondialità" a sugestão de que, antes de iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças, há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência. A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche. 
Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma preocupação com o escutar claro. Amamos não a pessoa que fala bonito, mas a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar...


 

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 RUBEM ALVES

*traduzione non ufficiale

Rubem Alves, in "Onde mora o Amor", del libro  'Tempus Fugit'. São Paulo: Edições Paulus, 1990

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