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A Morte dos Girassóis – Caio Fernando Abreu

                   

         

Caio Fernando Abreu  

12 settembre 1948, Santiago, Rio Grande do Sul 
25 febbraio 1996, Porto Alegre, Rio Grande do Sul  


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La Morte dei Girasoli

Venne il buio, io ero nel giardino. Passò un vicino e mi guardò, troppo pallido addirittura per la stessa notte. Mi guardò tanto da farmi girare, chissà qualcosa a prescindere me e il giardino. Avevo, tuttavia, solo i fucsia, l’edera che saliva sulle corde, rose color rosa, gladioli spettinati. Gli dissi ohi, lui diventò ancora più pallido.
Chiesi cosa fosse accaduto e lui alla fine sospirò: ”Mi hanno detto a Bonfim che sei morto giovedì”. Io dissi o pensai di dire o avrei dovuto dirlo che fu come se l’avessi detto: “E’ vero, sono morto. Quello che stai vedendo è un’apparizione, sono ritornato perchè non riesco a liberarmi dal giardino, resterò qui vagando come Egum sino a quando non sboccerà quella rosa gialla piantata il giorno di Oxum. Quando passi di là, al Bonfim, dici di sì, che sono morto, già da tempo, circa agosto dell’anno scorso. Approfitta e avvisa le persone che qui all’aldilà si sta bene: alla fine un posto senza il cattivo umore.”
Credo che fosse andato via, ancora più pallido. O lo fui io, non importa. Cambiando argomento senza cambiarlo esattamente, ho imparato molto dal giardino. I girasoli, ad esempio, che visti così da fuori sembrano semplici fiori, facili, addirittura un pò grossolani. Bene, non lo sono. Il girasole dedica molto tempo a prepararsi, cresce piano affrontando mille nemici, formiche voraci, lumache del male, venti distruttori. Dopo mesi, un giorno pa! C’è il bocciolo tutto elegante, sembra che già si stia per aprire.
Ma impiega tempo, anche per riprodursi. Io lo curavo, curavo e nulla. Viaggiai per quasi un mese d’estate, quando rientrai, la casa venne tutta dipinta, incluso il muro e vari girasoli furono rotti. Diventai una bestia. Gridai all’imbianchino: ”Ma lei non sa che le piante sentono dolore più delle persone?” L’uomo rimase a guardarmi pallido quanto quel vicino.
Ma, lui non lo sapeva, lo compresi. E andai a prendermi cura di ciò che era rimasto, che è sempre ciò che occorre fare.
Perchè c’è un’altra cosa: il girasole quando sboccia, generalmente si spetala. Lo stelo è troppo fragile per lo stesso fiore, capisci? Dunque, come se non sopportasse la bellezza che lui stesso ha generato, cade a terra, esausto della propria splendida creazione. Conosco, infatti, poche cose più splendide, l’aggettivo è questo, di un girasole aperto.
Alcuni li legai con corde a delle staffe, ma ce n’era uno così rotto al quale non diedi molta attenzione, sembrava non ne valesse la pena. Lo appoggiai solo ad una sansevieria trifasciata, con delicatezza, e lo consegnai a Dio. Il giorno seguente, era in piedi di nuovo, stortissimo, ma senza l’appoggio della sanvevieria. Crebbe così, precario, bruttino, fragilissimo.
Quando sembrava quasi ripreso, crau! Venne una pioggia da mettere paura e lo stese a terra. Di mattino era pieno di fango, ma robusto. Allora mi venne l’idea: lo tagliai con cura e lo sistemai ai piedi del Budda cinese con le mani rotte che ereditai da Vicente Pereira. Stava talmente male che lo stelo pendeva pieno di angoli a causa delle fratture, il fiore restava così con la testa abbassata a metà e di spalle verso il Budda. Non avevo modo di raddrizzarlo.
Il giorno seguente, giuro, aveva fatto un giro completo su se stesso e stava con la corolla tutta aperta, girata verso il sorriso di Budda. I due sembravano sorridere l’uno verso l’
altro. Uno storto come l’altro, con le mani rotte. Durò poco, il girasole dura poco, circa tre giorni. Allora lo presi e lo sparsi petalo per petalo, poi lo stelo e la corolla tra le alamandas della recinsione, affinchè cadessero nel giardino là in basso e tornassero ad essere polvere, humus mescolato a terra, dopo, non so esattamente, ritornasse alla superficie facendo parte di una rosa, di un gladiolo, di un lirio o di un’azalea, vallo a capire cosa tramano le radici lì nel basso al buio, in segreto.
Ah, si chiede di non mandare fiori. Poichè, come stavo dicendo, dopo essermi preso cura del giardino ho imparato molte cose, una è che non serve decretare la morte di un girasole prima del tempo, hai capito?
Alcune persone credo che mai lo capirebbero. Ma non è rivolto a coloro che sto scrivendo.


 

A Mrte dos Grassóis

“Anoitecia, eu estava no jardim. Passou um vizinho e ficou me olhando, pálido demais até para o anoitecer. Tanto que cheguei a me virar para trás, quem sabe alguma coisa além de mim no jardim. Mas havia apenas os brincos-de-princesa, a enredadeira subindo tenta pelos cordões, rosas cor-de-rosa, gladíolos desgrenhados. Eu disse oi, ele ficou mais pálido.
Perguntei que-que foi, e ele enfim suspirou: “Me disseram no Bonfim que você morreu na Quinta-feira.” Eu disse ou pensei em dizer ou de tal forma deveria ter dito que foi como se dissesse: “É verdade, morri sim. Isso que você está vendo é uma aparição, voltei porque não consigo me libertar do jardim, vou ficar aqui vagando feito Egum até desabrochar aquela rosa amarela plantada no dia de Oxum. Quando passar por lá no Bonfim diz que sim, que morri mesmo, e já faz tempo, lá por agosto do ano passado. Aproveita e avisa o pessoal que é ótimo aqui do outro lado: enfim um lugar sem baixo-astral.”
Acho que ele foi embora, ainda mais pálido. Ou eu fui, não importa. Mudando de assunto sem mudar propriamente, tenho aprendido muito com o jardim. Os girassóis, por exemplo, que vistos assim de fora parecem flores simples, fáceis, até um pouco brutas. Pois não são. Girassol leva tempo se preparando, cresce devagar enfrentando mil inimigos, formigas vorazes, caracóis do mal, ventos destruidores. Depois de meses, um dia pá! Lá está o botãozinho todo catita, parece que já vai abrir.
Mas leva tempo, ele também, se produzindo. Eu cuidava, cuidava, e nada. Viajei por quase um mês no verão, quando voltei, a casa tinha sido pintada, muro inclusive, e vários girassóis estavam quebrados. Fiquei uma fera. Gritei com o pintor: “Mas o senhor não sabe que as plantas sentem dor que nem a gente?” O homem ficou me olhando tão pálido quanto aquele vizinho.
Não, ele não sabe, entendi. E fui cuidar do que restava, que é sempre o que se deve fazer.
Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto.
Alguns amarrei com cordões em estacas, mas havia um tão quebrado que nem dei muita atenção, parecia não valer a pena. Só apoiei-o numa espada-de-são-jorge com jeito, e entreguei a Deus. Pois no dia seguinte, lá estava ele todo meio empinado de novo, tortíssimo, mas dispensando o apoio da espada. Foi crescendo assim precário, feinho, fragilíssimo.
Quando parecia quase bom, cráu! Veio uma chuva medonha e deitou-se por terra. Pela manhã estava todo enlameado, mas firme. Aí me veio a idéia: cortei-o com cuidado e coloquei-o aos pés do Buda chinês de mãos quebradas que herdei de Vicente Pereira. Estava tão mal que o talo pendia cheio dos ângulos das fraturas, a flor ficava assim meio de cabeça baixa e de costas para o Buda.
Não havia como endireitá-lo.
Na manhã seguinte, juro, ele havia feito um giro completo sobre o próprio eixo e estava com a corola toda aberta, iluminada, voltada exatamente para o sorriso do Buda. Os dois pareciam sorrir um para o outro.Um com o talo torto, outro com as mãos quebradas. Durou pouco, girassol dura pouco, uns três dias. Então peguei e joguei-o pétala por pétala, depois o talo e a corola entre as alamandas da sacada, para que caíssem no canteiro lá embaixo e voltassem a ser pó, húmus misturado à terra, depois não sei ao certo, voltasse à tona fazendo parte de uma rosa, palma-de-santa-rita, lírio ou azaléia, vai saber que tramas armam as raízes lá embaixo no escuro, em segredo.
Ah, pede-se não enviar flores. Pois como eu ia dizendo, depois que comecei a cuidar do jardim aprendi tanta coisa, uma delas é que não se deve decretar a morte de um girassol antes do tempo, compreendeu?
Algumas pessoas acho que nunca. Mas não é para essas que escrevo. “

 

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 CAIO FERNANDO ABREU

*traduzione non ufficiale

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