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Invocação à Saudade – Gonçalves de Magalhaes

               

Gonçalves de Magalhaes

13 agosto 1811, Rio de Janeiro 
10 luglio 1882, Roma

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Invocação à saudade
       
Tu, que n'alma te embebes magoada,
Melancólica dor, e gota a gota
Vertes no coração tóxico acerbo,
Que entorpece a existência, e a vida
rala!
      
Tu, tirana da ausência, que retratas
Em fugitiva sombra, em negro quadro
A imagem do passado;
Que ao filho sempre a mãe anosa
antolhas,
      
A pátria ao peregrino, o amigo ao amigo,
O esposo à esposa; e ao malfadado
escravo,
Que sem futuro pelo mundo vaga,
Mostras a liberdade, e o lar paterno;
     
E a cada simulacro que apresentas,
Com farpado aguilhão rasgas o peito
Do triste que te sofre;
E nos olhos sanguíneos, encovados,
    
Não lágrimas distilas,
Mas fel, só atro fel, bárbara, espremes.
Oh saudade! Oh martírio de alma nobre!
Malgrado o teu pungir, como és suave!
       
Como a rosa de espinhos guarnecida
Aguilhoa, e apraz co'o doce aroma,
Tu feres, e mitigas com lembranças.
Mas ah! o teu espinho ainda é mais duro;
      
E essas tuas lembranças são falazes,
Flores são que o punhal de Harmódio cobrem.
Para agora oprimir-me tudo se ergue;
Tudo agora de encantos se reveste,
     
Para mais agravar minha saudade.
Sítios qu'eu desdenhei, sítios que amava,
Templos que orar me viram respeitoso,
Estes céus de safira, estas montanhas
      
Cobertas de cocares de palmeiras,
Pais, amigos, irmãos, ah! tudo, tudo
Me está representando a fantasia,
Como que pouco a pouco quer matar-me.
      
Que cena há aí que mais encantos tenha,
Que ver lânguida virgem, pudibunda,
Pálida a fronte, as faces desbotadas,
Baixos os olhos, revoando a coma,
    
E uma terna expressão de oculta angústia
Que lavra-lhe as entranhas?
Que cena há aí que mais encantos tenha,
Que vê-la num baixel, segura ao mastro,
       
Suspiros exalar, longos suspiros,
Que voam murmurando, e se misturam
Co'os ventos que sibilam nas enxárcias?
De vez em quando olhar, e só ver nuvens,
     
Nuvens que o céu encobrem, retratando
Fugitivas imagens, que recordam
Terras da pátria; quem, meu Deus, quem pode
Resistir a tal cena?
      
Tu matas, oh saudade!... Às crespas ondas,
Delirante Moema, e quase insana,
Por ti ferida se arremessa.... e morre...
Que não pode a mesquinha
       
Longe viver do fugitivo amante,
Que tanto amor pagara com desprezos
Lindóia, entregue à dor, desesperada
N'ausência de Cacambo, mal lhe soa
       
Do caro esposo o último suspiro,
Também suspira, odeia a vida,... e morre...
E tu, Clara infeliz, filha dos bosques,
Gerada entre palmeiras,
    
Nada pode aprazer-te, nada pode
Extinguir-te a lembrança
Da rústica cabana, onde embalada
Em berço foste de tecidas varas.
      
De diurnas, domésticas fadigas
Descansada, lá quando alveja a lua
Em fundo azul, mil vezes te enxergaram
Num tronco de coqueiro reclinada,
       
Cantar da infância tuas árias saudosas,
Árias bebidas nos maternos lábios:
Ai... minha mãe, dizias.
Ai... minha mãe... quem sabe se ainda vives!
       
Aldeia onde nasci, pobre cabana,
Rede que me embalavas, eu vos choro!
Oh terra do Brasil, terra querida,
Quantas vezes do mísero Africano
  
Te regaram as lágrimas saudosas?
Quantas vezes teus bosques repetiram
Magoados acentos
Do cântico do escravo,
      
Ao som dos duros golpes do machado!
Oh bárbara ambição, que sem piedade,
Cega e surda de Cristo a lei postergas,
E assoberbando mares, e perigos,
       
Vais infame roubar, não vãs riquezas,
Mas homens, que escravizas!
Mil vezes o Senhor, para punir-te,
Opôs ao teu baixel ondas e ventos;
        
Mil vezes, mas embalde,
Nas cavernas do mar caiu gemendo.
À voz do Eterno obediente a terra
Se mostra austera e parca,
      
Que a lágrima do escravo esteriliza
O terreno que orvalha.
A Natureza preza a Liberdade,
E só franqueia aos livres seus tesouros.
      
Oh suspirada, oh cara Liberdade,
Descende asinha do Africano à choça,
Seu pranto enxuga, quebra-lhe as cadeias,
E adoça-lhe da pátria a dor saudosa.
      
Oh palavras! oh língua! quão sois fracas,
Para d'alma narrar os sentimentos!
Oh saudade, aflição dura e suave!
Oh saudade, que o rosto me descoras,
      
Saudade que me apertas, que nos lábios
Secas-me o almo riso,
E o pensamento meu absorves todo,
Como uma esponja o líquido, e o repartes
        
Co'o passado, o presente, e co'o futuro.
Oh saudade! Oh saudade!
Minhas endechas mal carpidas colhe;
Dá-me um lúgubre som, como o das vagas
      
Que nas praias se quebram
Sem ordem, como os meus chorados cantos;
Uma voz sepulcral, como o da rola
Que em solitária selva se lamenta;
       
Um acento funéreo, um eco lúgubre,
Como o eco das grotas, quando a chuva
Goteja reboando.
Ah! corram minhas lágrimas, ah! corram
     
A quantos meus gemidos escutarem.
Oh saudade! Oh saudade!
Pois que em minha alma habitas,
E sem cessar me lembras pais, e Pátria,
Minhas tristes endechas serão tuas,
Saudade, serei teu...
     
Saudade, és minha.

Invocazione alla Saudade
   
Tu, che nell’anima t’imbevi delusa,
Melanconico dolore, e goccia a
goccia
Versi nel cuore un veleno acerbo,
Che indebolisce l’esistenza, e la vita trita!
    
Tu, tiranna d’assenza, che ritrai
In un’ombra fuggente, nel nero
quadro
L’immagine del passato;
Che al figlio sempre la madre
anziana
poni dinanzi agli occhi,
     
La patria al pellegrino,
l’amico all’amico,
Lo sposo alla sposa; e al disgraziato
schiavo,
Che senza futuro vaga per il mondo,
Mostri la libertà, e il lare paterno;
        
E ad ogni simulacro che presenti,
Con un aculeo appuntito squarci il
petto
Del triste che per te soffre;
E negli occhi sanguinei, incavati,
   
Non lacrime distilli,
Ma fiele, solo funesto fiele, barbara, spremi.
Oh saudade! Oh martirio dell’anima nobile!
Malgrado il tuo pungere, come sei
soave!
     
Come la rosa  di spine fornita
Punge, e incanta con il dolce aroma,
Tu ferisci, e mitighi con i ricordi.
Ma ah! La tua spina è ancor più dura;
       
E questi tuoi ricordi son fallaci,
Fiori sono che il pugnale di Armodio coprono.
Per opprimermi tutto ti erigi;
Tutto adesso d’incanti si riveste,
       
Per aggravar di più la mia saudade.
Campagne che disdegnavo, campagne che amavo,
Templi che pregando mi videro
rispettoso,
Questi cieli di zaffiro, queste
montagne

Coperte di cocares1 di palme
Paese, amico, fratello, ah! Tutto,
tutto
Sta ritraendo la fantasia,
Come se poco a poco volesse
uccidermi.
       
Qual scena esiste che possa aver più
incanto,
Che veder una languida vergine,
pudica,
Pallida la fronte, visi senza colore,
Bassi gli occhi, sorvolando il coma,
           
E una tiepida espressione di
occultata
angustia
Che le solca l’intimo?
Che scena esiste che abbia più
fascino,
Che vederla su di una barca, afferrata all’albero maestro,
      
Esalare sospiri, lunghi sospiri,
Che volano mormorando, e si mescolano
Ai venti che sibilano tra le funi?
Ogni tanto quando osserva, e solo vede nuvole,
  
Nuvole che il cielo coprono,
ritraendo
Immagini fugaci, che ricordano
Terre della patria; chi, mio Dio, chi
può
Resistere a questa scena?
    
Tu ammazzi, oh saudade!…Le
onde increspate,
Delirante Moema2, e quasi
insana,
Ferita da te si scaglia… e
muore…
Che non può la meschina
     
Viver lontana dal fuggitivo amante,
Che tanto amore pagherà con
disprezzo
Lindoia3, rassegnata al dolore,
disperata,
Nell’assenza di Cacambo, mal le
suona
    
Del caro sposo l’ultimo sospiro,
Anche (lei) sospira, odia la vita,…e
muore…
E tu, Clara infelice, figlia dei
boschi
Generata tra le palme,
    
Niente può darti piacere, niente può estinguere il ricordo
Della rustica capanna, dove
ninnata fost
Nella culla di rami tessuti.
   
Di diurne, domestiche fatiche
Riposata, là quando biancheggia la
luna
In uno sfondo azzurro, mille volte ti videro
Su un tronco di cocco
piegata,
  
Cantare dell’infanzia le tue arie
saudose,
Arie bevute dalle materne
labbra:
Ai…madre mia, dicevi.
Ai…madre mia…chissà se ancora sei in vita!
  
Aldeia dove nacqui, modesta capanna,
Amaca che mi ninnava, per voi piango!
Oh terra del Brasile, terra cara,
Quante volte del misero
Africano
   
Ti irrigarono le lacrime saudose?
Quante volte i tuoi boschi
ripeterono
Accenti delusi
Del canto dello schiavo,
    
Al suono dei duri colpi
dell’ascia!
Oh barbara ambizione, che senza
Pietà,
Cieca e sorda di Cristo la legge
disprezzi,
E umiliando mari, e pericoli,
   
Vai infame a rubare, non vane
ricchezze,
Ma uomini, che schiavizzi!
Mille volte il Signore, per punirti,
Oppose alla tua barca onde e venti;
    
Mille volte, ma invano,
Negli antri del mare cadesti
gemendo.
Alla voce dell’Eterno obbediente
la terra
Si mostra austera e scarsa,
    
Che la lacrima dello schiavo
sterilizza
Il terreno che bagna.
La Natura sottomette la Libertà,
E solo concede ai liberi i propri
tesori.
   
Oh sospirata, oh cara Libertà,
Scendi rapidamente sulla capanna dell’Africano,
Il suo pianto asciuga, rompigli le
catene,
E addolciscigli della patria il dolore
saudoso.
    
Oh Parole!Oh lingua! Quanto siete
deboli,
Per dell’anima narrar i
sentimenti!
Oh saudade, afflizione dura e soave!
Oh saudade, che il viso mi impallidisci
   
Saudade che mi stringi, che dalle labbra
Mi asciughi il delizioso sorriso,
E il pensiero mio assorbi tutto,
Come una spugna il liquido, e lo spargi
    
Con il passato, il presente, e con il
futuro.
Oh saudade! Oh saudade!
Le mie nenie mal carpite
cogli;
Mi dai un suono lugubre, come quello dei marosi
   
Che sulle spiagge si rompono
Senza ordine, come i miei
canti tra le lacrime;
Una voce sepolcrale, come quello della rola4
Che nella selva solitaria si lamenta;
    
Un accento funereo, un eco lugubre,
Come quello delle grotte, quando la pioggia
Gocciola risuonando.
Ah! corrono le mie lacrime, ah!
Corrono
  
Quanti miei gemiti
ascolteranno.
Oh saudade! Oh saudade!
Perchè nella mia anima abiti,
E senza sosta mi ricordi paesi, e Patria,
La mie tristi nenie saranno
tue,
Saudade, sarò tuo…
    
Saudade, sei mia.

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 GONçALVES DE MAGALHAES

1 – copricapo indigeno

2 – Moema, il personaggio di Caramuro che muore tra le onde, tentando di inseguire, invano, il proprio amato alla volta dell’Europa

3 – Lindoia - personaggio dell’opera O Uruguai di Basilio da Gama – che perde il proprio compagno in una battaglia

4 – un volatile brasiliano

Item Reviewed: Invocação à Saudade – Gonçalves de Magalhaes Rating: 5 Reviewed By: Gianluigi D'Agostino